Famílias do MTST acampam no Ministério das Cidades em Brasília e conquistam abertura de negociação para construção de moradias

Posted on 22 de julho de 2010 por

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Famílias do MTST acampam no Ministério das Cidades em Brasília e conquistam abertura de negociação para construção de moradias
 
Cerca de 700 famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) acamparam no Ministério das Cidades, em Brasília, nesta terça-feira (20).
 
Durante a manifestação foi firmado um acordo de visa garantir moradia para as pessoas que foram despejadas da ocupação Bela Vista, em Brazlândia (DF).
 
Segundo o Coordenador do MTST (Nacional e Distrito Federal) Zezito Alves, houve uma reunião entre representantes do Ministério das Cidades e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB) e foi assumido um compromisso com o Movimento de incluir as famílias em um programa de moradia. “Iremos discutir um terreno para construção destas casas em Brazlândia e região para as famílias despejadas”, informou.
 
Nesta semana ocorrerá outra reunião entre representantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) para avaliar a disponibilidade de terras do Governo do Distrito Federal (GDF) e da União para a construção de moradias definitivas às famílias.
 
O coordenador do MTST considera positivo este avanço nas negociações e uma importante vitória para o Movimento. “Fomos despejados, porém não desistimos e acampamos no Ministério das Cidades em busca de negociação. A força de nossa mobilização garantiu um acordo. Agora, vamos nos manter organizados,  para que nos nossas reivindicações sejam atendidas”, ressaltou.
 
Ocupação – Na sexta-feira (16) famílias do MTST ocuparam um terreno em Brazlândia, que pertence à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Foi pedida a reintegração de posse da área na terça-feira. A polícia agiu com truculência durante a desocupação, segundo integrantes do Movimento, só não houve enfrentamento, pois os manifestantes se retiraram pacificamente. Algumas pessoas não tiveram tempo de retirar seus pertences, saindo somente com a roupa do corpo.
 As famílias temendo represálias e contra este despejo, chegaram a acampar na sede da Terracap, na segunda-feira (19). Porém não houve acordo, pois o presidente da empresa, Dalmo Alexandre Costa, alegou que só negociaria após a desocupação do terreno.
 
Segue nota feita pelo MTST na terça-feira sobre o despejo das famílias da Ocupação Bela Vista no Distrito Federal
 
Hoje 20, confirmaram-se os boatos que ontem fizeram com que nos movêsse-mos até a sede administrativa da Terracap: O despejo veio.
 
Veio com a truculência de quem não quer conversa, de quem não se importa, de quem não dá a mínima para o fato de serem famílias inteiras de seres humanos e não animais os que ocupavam a área que agora está de novo livre para não servir pra nada, livre para não produzir nada.
 
Não apenas um despejo, um outro se seguiu. O que nos retirou do prédio da Terracap onde manifestávamos nossa revolta pacificamente e onde buscávamos uma alternativa diferente de apenas ser lançado no olho da rua.
 
Novamente a truculência foi a linguagem que substitui qualquer negociação decente.
 
Centenas de famílias agora caminham, enquanto escrevemos este comunicado, algumas apenas com a roupa do corpo – tudo o que o tempo concedido pela polícia lhes permitiu retirar de seus barracos. Caminham rumo ao edifício do Ministério das Cidades. Carregam, no entanto, essas famílias, o que de mais valioso possuíam, carregam a dignidade de quem ousa, a coragem de quem não apenas espera e a força de quem luta e constrói com a força dos próprios braços, somados a outros de irmãos e irmãs, o dia que vem.
 
“Não haverá negociação enquanto estiverem no terreno!” dizia o engodo do Sr Rogério Rosso, governador. Agora também o engodo está provado, não há negociação alguma, alternativa alguma, solução alguma.
 
Há policiais a nos rodear, há famílias sem suas coisas e coisas por aí, jogadas como lixo sem seus donos.
 
Mas há também nossa perspectiva, isso há. Nos manteremos aqui enquanto pudermos, exigiremos tudo deste governo que não concede nada. Concessão, não! A terra é pública, deveria ser nossa.
 
Por ela lutaremos e esperamos, aqui, diante deste edifício, a solidariedade de todos e, se preciso for, a coragem de todos para o confronto que poderá vir, não por vontade nossa; se vier será pela absoluta e completa falta de alternativa. A culpa e a responsabilidade pelo que pode vir a acontecer está nas mãos dos senhores do poder, do governo federal, do Sr. Rogério Rosso, governador e do Sr. Dalmo, presidente da Terracap.
 
Com informações do MTST

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