Índios resistem na Esplanada dos Poderosos

Posted on 12 de julho de 2010 por

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Índios resistem na Esplanada dos Poderosos

Assista o video com entrevistas dos indígenas resistentes na Esplanada dos Poderosos. Os índios dormem há dois dias ao relento na frente do Ministério da Justiça. A Resistência continua! Viva o Acampamento Indígena Revolucionário! Abaixo o ditador da Funai Márcio Meira!

A polícia, sem mandato judicial, pratica uma verdadeira operação de Guerra contra o acampamento indígena AIR, entra no local com cachorros, sprays de pimenta, agredindo e insultando mulheres, crianças, idosos,no final destrói as ocas e barracas dos índios. Polícias levaram todos os pertences dos índios à força, seqüestrando até as bonecas das crianças…. De forma violenta efetuam arrastações das testemunhas e apoiadores do acampamento sem preocupação dos procedimentos legais em vigor no país;
Tal demonstração de força e de preconceitos contra os índios deixa evidente a postura do governo a respeito da questão indígena.

A qualidade do diálogo e sua consideração não surpreende as estatísticas dramáticas deste ano 2010, 192 vítimas de assassinatos, verdadeiro massacre dos povos originários do Brasil. O decreto presidencial faz parte do plano PAC para facilitar a exploração dos recursos naturais e a invasão das terras indígenas. O crime beneficia os órgãos de poder político e econômico, por isso ficou difícil para as vitimas se defenderem.

Os índios continuam acampados na Frente da Esplanada dos Ministérios em Brasília.

Abaixo, relato de um dos aliados que foi violentado e detido durante ação policial em Brasilia:

Por Murilo

Os filhas da puta [policiais] agiram exatamente no momento em que os dois advogados estavam viajando – em um sábado de manhã, quando não há ninguém na Esplanada. Minha câmera foi retida durante a operação (eu também, assim como a fita – e uma bolsa com cadernos contendo telefones e mais de três meses de trabalho), mas as imagens que fiz mostravam os cachorros do Bope e da PF monitorando o acampamento durante a madrugada – três deles – do teto do Palácio da Justiça – antes do amanhecer.

Ficou uma imagem bonita, os macacos [forma que os cangaceiros tratavam os policiais] de braços cruzados sobre o teto do covil da macacada, o canil que chamam de Palácio da Justiça (Ministério), com aquela luz azulada que precede o amanhecer.

O Jornal de Brasília, portal de inverdades, calúnias e difamações, informa que o chefe da operação era um comandante da PM, mas, quando estava algemado na caçapa do camburão do BOPE, ouvi eles falarem sobre “proibição de filmar” e em seguida o motorista entrou na viatura, ligou o carro e me levou para detrás da coluna do Batalhão de Choque e da
ROTAM. Abriram a caçapa do camburão e quem estava lá?: o dr. Galli, da superintendencia da Policia Federal, que – urbano como sempre – me deu bom dia e me perguntou o que fazia algemado. Respondi que estava filmando e me impediram de trabalhar, a caçamba então foi fechada e, minutos depois, fui transferido para a caçapa de um camburão da Polícia Civil, que me conduziu até a 5ª DP, com o Ilbert da Funai indo junto com os policiais, como se fosse um também (em um primeiro momento eu pensei que ele fosse apenas mais um agente).

Em todo momento, apesar dos agentes distritais protagonizarem a operação (Bope, PM, ROTAM e Polícia Civil), estava claro que era a Polícia Federal e a União que davam as cartas.

Ficou claro, para mim, a todo momento, que era o dr. Galli que comandava essa operação, a mando do Ministro Luiz Paulo Barreto (o governador Rosso é um serviçal, as forças distritais foram usadas de “bucha” – para o monopólio da brutalidade e da violência – deixando o Governo Federal de “mãos limpas”).

Não li em lugar nenhum, não ouvi de ninguém: eu presenciei, eu vi, eu sei. Quem coordenava era o dr. Galli, da superintendência da Polícia Federal. As forças do GDF eram “laranjas” na operação – serviam para dar porrada, cometer as arbitrariedades e as violações de toda a ordem, enquanto a União sai ilesa da operação. O comandante da PM é um laranja para que a vontade do Ministério da Justiça seja executada, um boneco apenas.

Espertos, mas nem tanto.

O Ilbert e o Paulo Pankararu estavam na delegacia – 5ª DP – rindo, enquanto o Tupinambá sofria lá dentro. A função deles lá era a de criminalizar os índios, dizendo que “borduna” não era borduna, era “porrete” – para descaracterizar a questão da tradição indígena e tratar o AIR como uma súcia de violentos portando armas brancas – e, enquanto o delegado dizia que “na Esplanada não tem índio de verdade, só farsante”, eles riam e não contestavam.

Me foi mostrado – na delegacia – um coquetel-molotov, dizendo que fora apreendido em uma barraca, e queriam que eu o reconhecesse, dizendo que era do acampamento. Flagrante Forjado, me neguei a reconhecer.

Depois, um vidro cheio de jenipapo, dizendo que era “veneno para colocar na ponta da flecha”, eu disse que não era, então o BOPE quis que eu bebesse para provar que não era veneno, respondi que não bebo jenipapo, que é para passar no corpo, não é para beber. Eles não se convenceram e levaram o jenipapo para exame toxicológico, acreditando se tratar de “veneno”. rsrsrs…

Nisso o delegado fala que estamos em guerra contra o Estado, mas vamos perder – pois eles são mais fortes, organizados e não lutam “com armas da idade da pedra”.

O exame de corpo delito do Vanderley Tupinambá foi uma FARSA, Não fotografaram os hematomas – não existe prova de tortura – e Paulo Pankararu, Ouvidor da Funai, e Ilbert da Funai estavam lá também, no IML, cúmplices de toda a farsa.

O Vanderley Tupinambá teve sua condição de indígena negada pela Funai dentro da delegacia e foi tratado como farsante, “171”. O Tupinambá ficou com pés e mãos algemados, recebendo spray de pimenta no rosto e borrachadas pelo corpo. Eu estava detido em outra sala, mas os gritos dele eram de arrepiar.

Vanderley saiu da 5ª DP em petição de miséria, mas o exame de corpo delito se resumiu a mandar ele abrir os braços, se virar e ir embora (não fotografaram os hematomas, não fizeram registro algum).

Ouvi os policiais dizendo, lá dentro da DP, que “o índio está se jogando contra  a parede”. Sacaneavam ele, chamavam de “baiano safado”.

O GDF está agindo como um Estado Policial a serviço do Ministério da Justiça e do Gabinete da Presidência da República. O médico do Hospital de Base se negou a dar o laudo à Sulamita Guajajara, que abortou durante a operação, por pressão da servidora Sonia, da Funai, e da Polícia Federal. O médico disse, para as redes de televisão, que não havia nenhuma mulher grávida ali.

Os exames de pré-natal de Sulamita estão chegando do Maranhão para que a gente possa anexar ao processo.

Yashmin Guajajara, de apenas 12 anos, levou covardemente um jato de spray de pimenta na cara de um oficial do BOPE, quando tentou salvar suas coisas. Eles levaram as mudas de roupa, os cobertores, as panelas e toda a comida para deixar nossa situação na Esplanada insustentável – mas Resisitimos!

Duas crianças, de 2 e 4 anos, foram parar no HRAN (Hospital Regional da Asa Norte), com a boca sangrando por conta do efeito do gás.

Edinária Guajajara conseguiu impedir que jogassem gás lacrimogênio dentro da barraca onde dormia o seu filho, João, de poucos meses.

Foi quando eu filmava a entrada do BOPE na barraca dela, Edinária, onde só dormiam mulheres e crianças pequenas, com as armas engatilhadas e apontadas que me deram uma gravata, me algemaram e me tomaram a câmera. A última
coisa que ouvi – a “gravata” foi violentíssima, quase apaguei, estou sentindo dores até hoje – foi “pega o francês, pega!”.

Jean Marc foi preso e foram direto à sua barraca para tomar seus pertences, atrás de nossos documentos. O Tupinambá tentou salvar as coisas do Jean e foi jogado no chão, surrado e algemado. Isso soube depois, nessa hora eu já estava algemado na caçamba da viatura – do outro lado da avenida.

Depois, me contaram, o BOPE gritava “pega o índio peruano!”. Mas Korubo foi mais esperto e saiu voando – foi tão rápido que ninguém viu.

Lúcia Munduruku foi arrastada para fora da barraca pelas pernas, com chutes e ofensas, tratada de uma forma que não é digna nem para o pior dos bandidos. Jogaram os cachorros em cima de sua filha, Sanaway, de apenas 9 anos, que tentou – com toda a inocência e todo o heroísmo infantil – me salvar das garras do BOPE (hoje ela está com muito medo e muito traumatizada com o ocorrido).

Sanaway se recusou a ir para minha casa ontem, por mais que a gente insistisse, que eu conversasse, diz que vai ficar no acampamento protegendo o pai: só sai dali se o pai for junto. Estou sofrendo com isso, vendo esse Anjo assim, muito preocupado com essa criança linda e preciosa. Ontem era tarde e não consegui, mas vou dar um jeito hoje de ela ir para um lugar legal, onde possa se distrair e se tratar.

O delegado me negou atendimento médico, botando minha vida em risco (eu tinha que tomar uma medicação intravenosa – antibiótico – às 10 hs no Hospital do Guará, propus que me levassem algemado, pois estou operado e com risco sério de infecção, mas ele disse que não era problema dele – quando pedi que se identificasse, ele se negou, mas vou conseguir o nome dele). Estou agora buscando a cópia do prontuário médico para anexar ao processo, mas vou dizer que é um processo trabalhista – senão é capaz da rede distrital de saúde me negar acesso ao documento.

A Funai – que negava a entrada de pessoas ligadas à AIR ao prédio-sede, além de negar alimentação e assistência – agora, em nota oficial, nega a condição de indigenas aos acampados, botando os pés pelas mãos publica e oficialmente.

Vivemos aqui em um Estado Ilegitimo e Criminoso. A PM, que impediu as doações de entrarem no acampamento ontem (impediram até o homem do picolé de vender para a gente), passou a noite toda estacionada perto com os faróis ligados para perturbar o sono. Quando saí estavam estacionados no gramado, a uns 5 metros dos sacos de dormir. INTIMIDAÇÃO CRIMINOSA, COVARDE, ABUSO DE PODER.

As crianças estão protegidas, algumas no escritório (apt) que aluguei, outras com amigos e aliados (algumas mães e tias estão junto, tomando conta). A gente resiste como pode, sem cobertor, dormindo no chão. NÃO SAIMOS DE BRASÍLIA – NEM DO GRAMADO – SEM A EXONERAÇÃO DE MÁRCIO MEIRA E SUA CORJA E A ANULAÇÃO DO DECRETO 7056/09!!!!

MAIS AINDA, EXIGIMOS A ANULAÇÃO DO CONCURSO PÙBLICO DA FUNAI!

E EU, MURILO (NÃO FALO EM NOME DO ACAMPAMENTO AINDA), NÃO VOU SAIR DE BRASÍLIA ENQUANTO NÃO TESTEMUNHAR O MINISTRO DA JUSTIÇA SAIR ALGEMADO DENTRO DE UM CAMBURÃO, TRATADO COMO O BANDIDO QUE É. ELE E TODO O SEU GABINETE.

RESISTIMOS. E VOU PROCESSAR O GDF, O MEIRA, O MINISTRO DA JUSTIÇA E TODA ESSA CORJA DE FILHOS DA PUTA (câmera, já tenho outra, mas a fita eles vão ter que devolver). E a briga só começou.

Eles acham que estão ganhando, mas nós nos fortalecemos a cada dia!

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A BRIGA SÓ COMEÇOU!

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