Poesia dedicada a Glicéria Tupinambá e seu filho, encarcerados…

Posted on 11 de julho de 2010 por

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CENA NO CÁRCERE

Para Glicéria  Tupinambá e o Filho, ambos na prisão na Bahia de todos os santos.

Juveal Payayá

Enquanto soam as vuvuzelas,

espocam fogos na calçada,

sofre o filho de Glicéria,

– mazela corrosiva, profunda!

Cena de teatro: o monstro apupa:

no cárcere infame astuta culpa

cobrando à mãe por desculpa

o sangue do filho que a terra ocupa!

Cego é o  destino clandestino,

a colina verdejante é teu pecado!

Tu pagas – como o divino –,

encanto do estigma passado!

Já não assombra ao povo,

sem leito, um sofrer pueril,

mas há esperança no bravo

quando o atalhos é sutil;

Serve-te deste riacho, pequenino,

és fruto do chão antigo,

pulsado na paz do sereno,

dum heróico seio amigo!

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